Perdi uma grande amiga...
Algumas pessoas podem não
entender e achar que é um exagero.
Mas, ela era minha amiga...
Uma amiga de quatro patas, sem
raça definida (isso é moderno, porque antes a gente dizia “vira lata”.), que
entrou na minha vida e de minha família há mais de dezesseis anos.
Foi no início
de outubro de 1996. Uma manhã eu estava saindo prá levar a Camila (minha filha)
à escola e lá estava ela, em frente à nossa casa.
Chegou de
mansinho, com uma carinha de carente (pois foi abandonada ali, provavelmente
logo após ter sido desmamada). Que pessoa “legal” que fez isso com ela... Que
“ser humano”...
Era linda,
parecia uma bolinha de pelo. Logo, eu e a Camila nos apaixonamos por ela e não
poderia ser de outro modo.
Nós duas amamos
muito os animais (seja de duas ou quatro “patas”) e não poderíamos deixá-la na
rua.
No início foi
difícil conseguir permissão para adotá-la, pois já tínhamos um cachorrinho (o
Peter, uma “coisa muito fofa e amada”, que também nos deixou aos doze anos e um
gatinho selvagem chamado Nino que era muito amado por nós também e que
desapareceu um pouco depois da chegada da Jully e nunca mais tivemos notícias).
Mas, nós
lutamos e conseguimos que ela ficasse, a princípio temporariamente, até que alguém
quisesse adotá-la. Claro, que isso não aconteceu... Nem fizemos muita força...
E isso durou
mais de dezesseis anos...
Levamos a Jully
ao veterinário e ele calculou que ela deveria ter por volta de quarenta dias.
Então, como foi no início de outubro que ela chegou, imaginamos que seu
nascimento teria sido no início de setembro de 1996.
Ela tomou todas
as vacinas de filhote e a castramos, para evitar mais animais abandonados como
ela, pelas ruas (fizemos a nossa parte).
Passou conosco
por muitos momentos, uns bons e outros muito difíceis.
Mas, estava
sempre ao nosso lado, principalmente comigo, que era a pessoa que ficava mais
tempo com ela.
Em Jaú, onde
moramos por mais de três anos, muitas vezes era a única companhia que eu tinha,
às vezes durante quinze dias seguidos. Era com ela que eu conversava,
desabafava nos momentos difíceis.
Claro que ela
não falava nada, mas ouvia e parecia ter sensibilidade prá entender quando eu
não estava bem, estava triste.
Por tudo isso é
que eu digo que ela era minha amiga...
Uma amiga
guerreira, que por várias vezes teve problemas de saúde e achávamos que não
iria resistir.
Mas, ela passou
por tudo, sempre com muita garra.
Era uma cachorrinha
do bem. Não mordia, não avançava em ninguém, nem latia muito.
Só “entrava em
pânico” quando soltavam fogos. Aí ela perdia o controle, ficava fora de si e
nos deixava nervosos e ao mesmo tempo com dó pelo seu sofrimento.
Depois de Jaú,
voltamos prá Ribeirão Preto e ela continuou nos acompanhando.
Com a idade
avançada, os problemas de saúde foram aumentando, ela perdeu a visão de um
olho, já não escutava bem.
Há algum tempo
teve uma convulsão e a veterinária disse que deveria ser problema cardíaco.
Sua saúde foi
piorando...
Sabíamos que a
qualquer hora isso iria acontecer.
Mas, confesso,
que quando aconteceu, fiquei muito, muito triste (e ainda estou).
Foi na
madrugada de 21 para 22 de dezembro de 2012, por volta das cinco horas da
manhã.
O meu
sentimento de perda é como se fosse alguém da minha família.
Ela me trazia
lembranças de um tempo que eu tinha meu pai e minha mãe comigo. Eles conviveram
com ela e já não estão conosco há muitos anos.
Agora até isso
acabou...
A Jully sempre
foi tão discreta na sua existência e na hora de morrer não foi diferente. Sem
barulho, sozinha, sem incomodar ninguém.
Mas, como os
animais tem muito mais sensibilidade que nós, o Pablito e a Lolinha (nossos
amados cãezinhos) perceberam que alguma coisa estranha estava acontecendo com a
“Tia Jully” e ficaram muito agitados, dentro de casa e nessa hora eu entendi.
Só não tive
coragem de ir conferir, mas acho que foi melhor, pois, além de não poder fazer
mais nada, pois ela já estava no fim, eu iria ficar pior ao vê-la morrer. Sei
lá o que é pior...
Essa era a
Jully...
Sinto um vazio
grande... Eu sei que temos que conviver com isso, mas, Jully, você vai deixar
muita saudade e sempre estará na minha lembrança, como até hoje eu nunca me
esqueci do Peter e do Nino, que foram tão importantes.
Esses bichinhos
nos ensinam a todo o momento.
Amam-nos
incondicionalmente, não discutem, não agridem, não guardam mágoa, não nos
ofendem.
E não importa o
que façamos, quando chegamos, nos recebem, “abanando o rabo”.
São solidários
quando estamos tristes, coisa que o ser humano muitas vezes não é.
Só atacam se
estiverem com fome ou se sentirem de alguma forma ameaçados.
Que diferença
do ser humano...
O homem ataca,
mata, violenta outros seres humanos e animais, muitas vezes pelo simples prazer
de fazer.
Deveríamos nos
espelhar mais nos animais ditos irracionais.
Jully, essas
palavras expressam o que eu sentia e sinto por você.
Saudades, minha
grande amiga...
Marta
PS.:
Vi a Marta terminando de escrever esse texto hoje pela manhã, pedi para ler, achei interessante e resolvi postar aqui no meu Blog, como já tinha feito com um texto dela há alguns tempos atrás.
Espero que gostem, assim como eu gostei.
Bom final de domingo...
Eli dos Reis
Muito bonito o comentário, gostei muito!
ResponderExcluiramo-tes
bjs,bjs!!!