quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sem Comentários...




À minha última postagem dei o nome de Onde vamos Parar?

Para a presente, outro nome não poderia ser, senão: Sem Comentários...
Porquê? Leia-a e fique surpreso assim como eu fiquei quando li a entrevista...

ROMÁRIO, acreditem, o menos faltoso entre os novos Deputados Federais e sua entrevista.
No mínimo assustadora. Pelo que nela se lê.

Parte de entrevista do ROMÁRIO ao jornalista COSME RIMOLI da TV Record :



- Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada.
O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

- Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?

Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

- Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos...

Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

- São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?

Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto...  a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.


- O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos. E entregue para um clube particular?

Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

- A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?

Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um  tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

- Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?

Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

- Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?

Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro...


A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil. Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro.

Quem teve a idéia de promover, o evento em nosso país, alguém sabe?




Leu? Conseguiu vir até o final?

Então, Sem Comentários...


Um abraço,


Eli dos Reis

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Onde vamos parar?



Hoje em dia quando vejo em diversas oportunidades, situações como as que o Prof. Rafael Chiuzi comenta em seu artigo que tomo a liberdade de reproduzir a seguir, fico pensando: Onde vamos parar?


Em todos os locais, em todos os meios e em todas as redes sociais  nos deparamos com termos e comentários agressivos e apelativos, parece que todos têm o direito de agredir, de desacatar, de massacrar o adversário, ou aquele que apenas não concorda com suas posições, a troco de quase nada, ou de uma simples "valorização pessoal".


Repito a pergunta que fiz logo acima: Onde vamos parar? Há alguns dias, numa rede social , me referi a este mesmo assunto fazendo reflexões sobre o comportamento das pessoas hoje em dia e escrevi o seguinte:



  • Sou do tempo de se parar em sinal vermelho, ser gentil com mulheres, ser cortês com as pessoas, dirigir sem falar ao celular, não estacionar em vagas de deficientes, não sentar em bancos de idosos e grávidas nos ônibus, de mães não agredirem professores porque estavam querendo corrigir seus filhos, em que todos faziam as refeições juntos, em que as televisões eram desligadas quando chegavam visitas, de não passar na frente dos outros na filas de supermercados para mostrar aos filhos que se é esperto, de se estacionar em filas duplas em local proibido nas portas de escolas para se buscar filhos, e, enfim acho que sou de um outro mundo... 


E, assim as pessoas vão vivendo, de forma agressiva, arrogante e mal-educada, só porque "somos assim mesmo"...


Vamos então ao...





Artigo do Prof. Rafael Chiuzi

19 de Abril de 2012.
A era do “barraco”

Vivemos em uma época no mínimo peculiar. Apelidei-a de “era do barraco”, pois talvez seja onde a inversão de valores sociais esteja mais explícita hoje. Curioso hoje como muitas pessoas aquilatam expressões cotidianas como “fiz o maior barraco” ou “desci das tamancas” ou ainda “mostrei as garras” etc. No começo o alvo dos comportamentos agressivos eram majoritariamente operadores de teleatendimento, progressivamente isso começou a se espalhar: vendedores, atendentes, balconistas, secretárias, porteiros, professores e, para meu espanto, hoje percebo tal moda tomou ares de um ethos generalizado a quase todos os seres humanos. Tanto em suas vidas pessoais quanto nas próprias organizações.
Certas pessoas se orgulham de relatar como “fizeram um barraco” se contentando unicamente com a racionalização de que “sou assim mesmo viu, não adianta porque sou barraqueiro (a)” sentindo-se praticamente desculpados por si mesmos permitindo-se adotar comportamentos bestiais que, nem de perto, são ideais para a convivência com outros seres humanos. A balconista da padaria lhe deu o lanche com aquele tomate que você havia pedido para ser retirado? Que absurdo! Acabe com ela para mostrar quem manda! Não deixe barato!
Quem manda em que? onde? E por quê? Esses seres realmente se veem no direito de agredir pessoas verbalmente, de forma escrita ou falada, para mostrar sua superioridade? Você crê em seus direitos, mas não respeita o direito dos outros? E estranho como tem certeza de que “saiu por cima”, mais uma expressão que me intriga. Que época mais estranha.
Estranha porque “descer das tamancas” ou “fazer um fuá” virou sinônimo de estabelecimento de defesa própria, virou sinônimo de poder (ainda que ilusório). E talvez a pior parte seja a de que esse discurso, assim como a prática de bestializar outras pessoas é estimada por outras pessoas, que avaliam dizendo “isso mesmo, fez muito bem... eu mesma uma vez peguei de jeito uma secretária e bla bla bla”, e também contam suas peripécias mal educadas de como “saíram por cima de outra pessoa”. Fico pensando em como educar meu filho hoje em um mundo onde isso é valorizado, mais do que valores que edificaram nossa sociedade como honestidade, ética e, acima de tudo, humildade para com o próximo. Fico pensando como vivemos na era também do “Respeite meus direitos, mas esqueça meus deveres”, onde destratar um garçom, por exemplo, é normal e pior: justificável.
Nunca me esqueço de quando ainda era apenas um estagiário de psicologia na UTI de uma Santa Casa no interior do Estado de São Paulo, onde atendia pacientes internados em terapia intensiva, e vez ou outra seus familiares também. Um dos senhores de uns 60 e poucos anos que atendi certa vez, em situação muito grave de saúde, me disse em uma terça feira à tarde, bastante chuvosa (difícil de esquecer) com o olhar muito triste e arrependido: “Sabe, agora que sei que estou morrendo e ninguém veio me visitar aqui nem mesmo na UTI, eu penso que, na minha vida, deveria ter tratado melhor as pessoas que passaram por mim”. Mesmo jovem entendi que aquele deveria ser um ensinamento que deveria carregar por toda a minha vida.
Por isso hoje quando testemunho uma pessoa tratando outra com tal desprezo, penso se verdadeiramente podem ser analisadas como seres pensantes, racionais, sensatas, ou se deveriam receber o mesmo tratamento que apresentam aos outros, mas logo depois a realidade me chuta na cabeça me advertindo que talvez se elas receberem o mesmo tratamento – aí sim terão um ponto basal para continuar fazendo o que já fazem – ou seja, a visão de que o mundo está contra ela e que ela deve se acastelar a todo momento, atacando para não ser atacada, “mostrando quem manda” e que “comigo não se brinca” (mais uma expressão intrigante).
Assim, me pergunto por que na atualidade torna--‐se tarefa tão árdua tratar as pessoas bem? Quais são os empecilhos de se assentar empaticamente no lugar do outro? Por que as pessoas tem visto o outro mais como inimigo do que como um semelhante? Talvez sejam muitas indagações para respostas ainda escassas.
O irônico é que algumas, essas que se orgulham de “fazer barraco” talvez lerão esta reflexão e dirão a si mesmas: “isso mesmo, tem que tratar as pessoas com respeito, por isso que eu faço isso todos os dias” e daqui a um par de horas estarão repetindo seu padrão acéfalo com outra pessoa, pelo computador, presencialmente, ou em qualquer outra interação humana de sua vida, seja em seu lar ou em seu trabalho.
Enquanto isso nos resta esperar que a era do barraco seja passageira e que possa se configurar como mais um modismo da vida moderna, onde tantas outras coisas são mais importantes e valorizadas do que ser um bom cidadão, onde respeitar o outro é sinônimo de “coisa para os fracos”.


Rafael Chiuzi.
Psicólogo, Doutorando em Psicologia Social.
Prof. Da Universidade Metodista de São Paulo



Acho que precisamos, todos, repensarmos nossa postura no dia-a-dia, não agora, mas já a partir de ontem...

Bom final de semana a todos os leitores,


Eli dos Reis.




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Duas Semanas...




Uma das coisas mais importantes em ter-se um blog seu, a meu ver, é a liberdade que o blogueiro tem em escrever o que o está motivando no momento.

Às vezes é a inspiração política momentânea, ou um assunto que está bombando na rede mundial e ele entende que precisa ser comentado, ou, um acontecimento que o inspira naquela hora a escrever sobre ele.

No meu caso um fato que me incomodou desde que aconteceu: hoje completa a segunda semana que levaram o meu automóvel, meu hobby.

Esse é meu motivo agora:

Realmente após ter verificado no depósito local de veículos apreendidos pelas mais diversas razões do departamento municipal de transito de minha cidade, ter consultado as duas polícias locais, a que cuida das rodovias da região e a urbana, estou me convencendo que o meu Passat 1.980, se já não estiver desmanchado deve estar em local bem escondido ou longe daqui.

Entretanto, quero aqui deixar registradas algumas palavras ao desconhecido que o furtou, da frente da minha casa, na sexta feira, dia 01/junho, às 13h20min. Todos estes detalhes servem para mostrar a importância do fato, e o tanto que marcou a todos aqui de casa.

- Caro desconhecido, você levou um carro velho para a maioria das pessoas. Para mim, um carro antigo, muito bom e muito bem conservado, e muito importante para mim.

E, na realidade ele foi meu companheiro a me levar a todos os pontos da cidade, depois de minha cirurgia de coração. Ele me ajudou a voltar a sentir-me bem, com uma recuperação que até minha cardiologista se surpreendeu. Fez-me sentir novamente bem e senhor dos meus destinos, num momento em que muitos têm até que recorrer à ajuda de psicólogos para voltarem à vida normal depois do grande susto.

Aliás, o prezado desconhecido sabia muito bem que o meu “carrão” era realmente bom, bonito e bem conservado, tanto que o roubou.

Senhor ladrão desconhecido:

- Mesmo que você tenha a posse dele, até o momento em que o desmonte (se já não o fez) totalmente para vendê-lo aos pedaços, você nunca vai ser dono dele, nem ter a sua propriedade.

Simplesmente porque ele continua meu! A história dele se confunde com a minha!
Você só teve a posse momentânea até transformá-lo em moeda de troca para compra de drogas e enfiá-lo ainda mais na lama em que você anda. Ou para transformá-lo ainda mais envolvido no submundo da delinquência em que você vive.

Você só aumentou seu débito negativo por causa de um carro velho, seu infeliz.

Por um valor tão pequeno aumentou seu débito perante as duas leis: a do homem e a de Deus. Se bem que, isso deve ser uma coisa a que você nem dá valor, se não, não o teria roubado.

Roubou motivado, pela inveja, por desejar o que não é seu, ou pior, pela droga!






Bem amigos leitores, até a próxima.


Eli dos Reis


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Não foi por falta de aviso...




Acho que já aconteceu com você também: às vezes lemos um artigo ou comentário tão bom que o relemos e não encontramos a oportunidade de acrescentar nem uma vírgula, nem um pingo num " i "...


Foi o que acaba de acontecer comigo ao ler o que reproduzo abaixo, quando o li na seção Opinião do "estadão.com.br". Achei-o de uma sensatez insofismável.


Sem perda de tempo, vamos à leitura:



O ditado "quem sabe faz, quem não sabe ensina" é cruel com os professores, mas parece aplicar-se à presidente Dilma Rousseff. Ao receber o rei Juan Carlos da Espanha, anteontem, ela receitou uma "ação coordenada e solidária" para a superação da crise que sufoca as economias europeias. No entanto, a sua receita para a contração da economia brasileira - centrada no estímulo ao consumo - revelou-se um equívoco. A reprodução da bem-sucedida fórmula do então presidente Lula contra a contaminação do Brasil pelo colapso do sistema financeiro dos Estados Unidos, a partir da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em 2008, ignorou o óbvio: a impossibilidade de promover o crescimento duradouro da economia com medidas puramente paliativas.
Incentivar o gasto das famílias mediante uma política agressiva de expansão do crédito e de retração das taxas de juros, e ainda recorrendo a incentivos fiscais para reativar as compras de carros, é um pobre substituto para o desatamento dos nós estruturais que bloqueiam o desenvolvimento do sistema produtivo, em particular da indústria, e inibem o investimento privado.
A prova está nos acabrunhantes números do desempenho da economia no primeiro semestre: crescimento do PIB próximo da estagnação, com acréscimo de 0,2% em relação aos três meses anteriores e de 0,8% em relação ao mesmo período de 2011. A realidade não só mandou para a proverbial lata de lixo da história a fantasiosa meta original do governo para este ano (4,5%), como também deixou em xeque a expectativa oficial, significativamente mais modesta, de repetir os 2,7% do ano passado.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode até ficar rouco de tanto repetir que fixar-se naqueles números equivale a "olhar pelo retrovisor", mas parece ignorar que o ritmo da atividade depende em larga medida das expectativas dos agentes econômicos. E elas descem a ladeira.
No mesmo dia em que a presidente dizia ao rei como os governos europeus devem lidar com a crise, o Banco Central divulgou o seu mais recente levantamento das projeções de uma centena de instituições financeiras sobre o comportamento da economia no ano. O prognóstico médio caiu de 2,99% para 2,72% (e, pior ainda, de 1,58% para 1,15% no caso da indústria). Mais soturnas são as previsões de empresas de grande porte citadas pelo jornal Valor. Entre essas, fala-se em ominosos 2%, com um décimo de ponto porcentual para cima ou para baixo.
É pedir demais ao consumidor brasileiro que reverta essa tendência. Mesmo com nível de emprego em patamar satisfatório, o endividamento familiar é um limite intransponível à capacidade aquisitiva da população, sobre a qual paira já a ameaça da inadimplência.
Em maio, o indicador de dívidas não pagas cresceu 4,3% em comparação com o mesmo mês de 2011. É a 15.ª elevação em 16 meses. Some-se a isso a dificuldade do setor produtivo - por falta de inovação e por baixa produtividade, entre outros fatores - de competir com o exterior na oferta de bens à altura das novas exigências do público.
A presidente pode dizer o que queira, menos que não foi avisada a tempo. Não é de agora que vozes credenciadas apontam para os pés de barro do monumento emergente brasileiro: a infraestrutura desesperadamente necessitada de modernização, a insuficiência de investimentos e a perversidade do sistema tributário.
Para promover a titular da Casa Civil que escolhera para lhe suceder, o presidente Lula fabricou o pretensioso PAC, cujas pífias realizações atestam a cada dia a continuada incompetência gerencial dos dois governos. Tentando superar o problema que ela permitiu que se eternizasse, Dilma convocou na segunda-feira uma reunião de emergência com 9 de seus 39 ministros e outras autoridades. Cobrou deles "um choque de gestão" para acelerar a execução dos projetos prioritários de sua alçada. De março para abril, os investimentos públicos totais caíram 8,5% - já não bastasse que a parte do leão do desembolso estatal corresponda aos subsídios ao programa Minha Casa, Minha Vida.
A presidente teve a coragem de enfrentar a barreira dos juros altos e, para isso, mexer na poupança. Tenha agora a força de pôr o governo a trabalhar.


estadao.com.br
Opinião
06 de junho de 2012 | 6h 38


Muito bom este texto não é mesmo?
Será melhor ainda se a presidente e sua equipe o lerem e, quem sabe, sem perda de tempo, comecem a repensar seus planos para nossa Economia.
Se não quiserem ser vaiados pela Europa agonizante...




Eli dos Reis

terça-feira, 5 de junho de 2012

O MEU HOBBY...





Hoje, talvez pela perda que estou enfrentando, minhas palavras podem conter um pouco de magoa e revolta, mas que os leitores poderão acabar desculpando se tiverem a iniciativa de se colocarem só um pouquinho no meu lugar, ou relembrar que como humanos, podemos às vezes, ainda que não devêssemos denotar inconformismo em nossas palavras.

Mas, vamos ao assunto de tenho programado para agora:

Escalar os mais altos montes, encarando as adversidades climáticas, praticar voo à vela nas mais diversas regiões, saltar de paraquedas do alto dos edifícios, praticar canoagem em locais perigosos ou surfar nas mais altas ondas ao redor do globo. Estes são os gostos, ou os hobbies muito praticados pelas pessoas em todos os locais.

O meu hobby era muito simples e acessível a qualquer um: juntar o gosto de ter um automóvel antigo, usado, da época de minha juventude, mas em ótimas condições que me permitisse utilizá-lo como qualquer auto novo, para trabalhar e ir a todos os locais que intentasse. Por um bom tempo pude fazê-lo, ao utilizar meu Passat 1980, nas minhas atividades diárias.



Era um auto bem conservado que eu tratava como se fosse seminovo, com cuidados de manutenção para não me deixar na mão. Isso consumia bons  valores, mas compensava pelo prazer de poder curtir um "Antigão" em boas condições, sem pagar ipva, do qual já estava dispensado pela idade.
Todos apreciavam sua conservação e estado a ponto de em diversas ocasiões ser convidado a “por preço” para o observador fazer sua oferta de compra.

- Não está à venda, é minha forma de hobby e condução.

Assim foi por um bom tempo, até ele ser furtado pela primeira vez no ano passado, quando ficou dois dias em posse de desconhecidos até ser localizado e resgatado pela Polícia, que me devolveu inteiro sem nenhum dano, além da fechadura do porta-malas quebrada e imundo.
Depois, por mais um tempo pude usá-lo com gosto, até ser novamente furtado da frente de minha casa na última sexta feira, dia 01 de junho por outro, ou o mesmo sei lá, desconhecido que até hoje está com sua posse, se já não o desmontou ou o vendeu a algum desmanche, em troca de trocados (redundância intencional).

É assim o dia-a-dia das pessoas.

Uns levam a vida praticando seu cotidiano de forma adequada, correta e honestamente.
Outros, infelizmente, levam uma vida torpe, suja, imunda, repugnante e asquerosa, envolvidos muitas vezes com o submundo e as drogas, e que só encontram razão de vida se estiverem praticando atos que causem danos a outros.
Infernizados pela inveja, pela cobiça ou pela droga, fazem da vida uma sequencia de atos torpes com uma série de desculpas, sempre atentando para jogar nas costas de outrem as culpas de suas mazelas e de seus crimes, numa forma de se isentarem de assumir os erros praticados, justificando assim o que estão fazendo.

E continuam fazendo...

A nós resta-nos pedir a Deus para que nossos locais habituais não fiquem na rota ou itinerário desses olhos interesseiros e maliciosos e acabem sendo alvo dessa cobiça sórdida.

Hoje, apenas um desabafo...

Até mais,


Eli dos reis

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Desapontamentos...



Nos últimos dias muita coisa anda acontecendo nesse nosso País que nos deixam desapontados, e quando ficamos desse jeito, normalmente colocamos para fora o que pensamos e sentimos. Aí vem outro desapontamento: muitas pessoas que pensam igual a nós, mas são retraídas não assumem sua posição da mesma forma que nós assumimos.

Então fica no ar aquela nossa sensação de mal estar.
- Você é muito radical, as coisas não são bem assim...

Quer ver mais? Todos concordam que o nosso ex-presidente está passando dos limites, correto? Mas, a maioria sente isso e prefere manter sua “indignação” intimamente.

Por quê?

Porque nosso prezado Lula tem uma imagem boa entre as camadas mais inferiores da sociedade pelos motivos que todos sabemos, e, no exterior vive sendo agraciado com títulos e comendas dos países interessados em estar bem com o Brasil para poderem tirar proveito da nossa “economia emergente” e, bem, aí “não fica bem” assumirem publicamente esses sentimentos, porque pode destoar da maioria e não ficaria de bom tom.

- Mas, o ex-presidente tem uma imagem muito boa no exterior, então será que ele está mesmo fazendo como andam, e o que andam dizendo?

E o Cachoeira? E os políticos que estão enlameados com ele? Estão fazendo a coisa certa?

É assim. Todos dizem que está tudo bem, tudo bom, e o mundo continua andando...

Os padrões de correição, de fazer a coisa certa, respeito, e tudo aquilo que aprendemos de como devemos ser vai ficando no esquecimento.

As instruções que coletamos nas nossas casas com nossos pais, nas Igrejas que freqüentamos e onde aprendemos os ensinamentos de que devemos ser cristãos no nosso dia-a-dia, para seguirmos o modelo d’Ele, e levarmos uma vida com honestidade, considerando os outros como melhores que nós, amando os semelhantes, e servido aos necessitados vai ficando no passado, chegando-se a imaginar como idiotas os que assim agem.

Que mundo vamos deixar para nossos filhos?

E que filhos vamos deixar para esse mundo?

Vamos pensar um pouquinho nisso?

Até a próxima,



Eli dos Reis

domingo, 29 de abril de 2012

Excelente artigo de Mary Zaidan.



Hoje tive a oportunidade de ler este excelente artigo e achei interessante compartilhá-lo, ei-lo então a seguir:


CPI une Lula e Collor, por Mary Zaidan


Quase vinte anos depois da CPI de PC Farias, que apeou Fernando Collor de Mello da Presidência, o vilão agora é algoz e seus acusadores mais ferozes, capitaneados pelo ex Lula há duas décadas, aliados. Se depois que chegaram ao poder, perdões e gentilezas tornaram-se freqüentes, na CPI mista de Cachoeira, PT e Collor, de novo com o aval de Lula, confessam a mesma cartilha e inimigos em comum, a começar pela mídia.
Em discurso eloqüente, olhos esbugalhados, que fez lembrar os tempos irados em que, num equívoco letal, convocou os brasileiros a sair às ruas de verde e amarelo, colhendo cidades cobertas de cidadãos vestidos de preto, o senador Collor de Mello expôs todo o seu ódio contra CPIs, transformadas em “tribunais de inquisição”.
E, ainda com mais ênfase, contra a imprensa. Chamou jornalistas de “rabiscadores”, gente que produz “notícias falsas ou distorcidas”.
Um elo a mais a unir Lula e Collor. Um purga sua mágoa pela Presidência perdida, outro, pelo processo do mensalão, maior escândalo da República, com poderes de lhe macular a majestade.
Os métodos de ambos se assemelham: flagrados, fingem que não é com eles, atacam a imprensa e protegem comparsas.
Collor nunca falou nada sobre PC Farias, a Operação Uruguai ou a prova menor, o Fiat Elba, gota d’água da cassação de seus direitos políticos.
Lula falou demais, mas o intuito era o mesmo. Primeiro se disse traído pelos seus. Depois, garantiu que o mensalão não passava de caixa 2, inventando a tese de que um crime se torna menor quando todo mundo o comete. Algo absurdo na boca de qualquer um, quanto mais de alguém que à época era o número um do país.
A teoria da vez é a de que o mensalão é farsa, uma armação da direita com apoio da grande mídia. Nela, Collor é, de novo, aliado de primeira grandeza. A ele cabe bater forte na imprensa, tentar desacreditar o carteiro para não precisar discutir o conteúdo da carta.
Os dois ex-presidentes, que nas primeiras eleições diretas depois da ditadura militar mobilizaram o país por suas diferenças ideológicas, se unem na sordidez.
Collor renunciou antes de sofrer o impeachment e teve seus direitos políticos cassados por oito anos. Atira para todos os lados, tenta vingar-se. Aposta na hipótese pouco provável de passar para a história como vítima de injustiça.
Lula, de olho no perdão prévio, alimenta as esperanças do ex-inimigo.
Cada um modela suas versões de acordo com a conveniência.
A corrupção, a malversação com dinheiro público, os desvios, a evasão de dólares para o exterior, o mensalão. Isso tudo que se dane. São apenas fatos. Coisa de jornalista.


Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

Muito bom, não é mesmo?
Boa semana, até a próxima...

Eli dos Reis.



quinta-feira, 15 de março de 2012

Educação: base da sobrevivência.


Compete aos mais antigos, aos pais, aos professores e aos mestres, estes últimos até por dever de ofício, transmitir os ensinamentos e as instruções daquilo que aprenderam ao longo do tempo e da vida, especialmente daquilo para o que se capacitaram, aos mais jovens visando ensiná-los a viver em harmonia com seus pares, preparados para a vida em sociedade e para um convívio social pleno e adequados para o trabalho.

Referindo-se a esse assunto, GLAUCO BAUAB BOSCHI, escreveu em seu trabalho intitulado Deveres do Professor, publicado no 1º. semestre de 2.008, no endereço: 


acessado em 15/03/2012, onde afirmou:

  • " A educação implica a todos, pois é base da sobrevivência da espécie humana e no atual estágio de evolução social alcançado pelo ser humano, está obrigado a receber e dar preparo especial aos novos indivíduos para que possam viver em sociedade; uma vez que sem instrução já não se é mais possível viver em sociedade. 
  • O Dicionário Aurélio – Século XXI (FERREIRA, 1999) alude a educação como: “processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. "
O que vemos na atualidade é um distanciamento dos pais em relação a seus filhos, não sómente no quesito educação, mas em tudo na vida deles. Com isso valores, costumes e posturas passam por um processo de "esquecimento" dos jovens em relação aos valores primordiais na vida da sociedade.
Assim não é muito comum vermos sendo cultuados as tradições familiares, o respeito às autoridades dos pais, dos avós, aos mais velhos, e por aí vai.

Em cima dêsse tema, postei recentemente numa rede social:

  • " Sou do tempo de se parar em sinal vermelho, ser gentil com mulheres, ser cortês com as pessoas, dirigir sem falar ao celular, não estacionar em vagas de deficientes, não sentar em bancos de idosos e grávidas nos ônibus, de mães não agredirem professores porque estavam querendo corrigir seus filhos, em que todos faziam as refeições juntos, em que as televisões eram desligadas quando chegavam visitas, de não passar na frente dos outros na filas de supermercados para mostrar aos filhos que se é esperto, de se estacionar em filas duplas em local proibido nas portas de escolas para se buscar filhos, e, enfim acho que sou de um outro mundo... "

Acho que todos devemos pensar nisso e tomarmos iniciativas para que o futuro do mundo seja melhor, em cima de uma melhor educação que deixarmos para os nossos filhos. E que essa melhor educação não seja medida só pelo preço das mensalidades.

Até a próxima,



Eli dos Reis


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mitos e Equívocos, José Serra.





Bem, por hoje, farei só esta republicação deste texto de autoria do Sr. José Serra, que todos sabemos foi preterido pelo Brasil, que novamente oPTou pelo pior:






Mitos e Equívocos, José Serra.


Estado de São Paulo, 23/02/2012.

As avaliações sobre a recente privatização de três aeroportos brasileiros tem misturado duas coisas: a questão política, enfatizada pela maior parte da oposição e retomada pelo PT, e a da forma e conteúdo do processo.
Ao contrário do que se propalou, as privatizações dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas (Viracopos) não são as primeiras dos governos do PT. Basta lembrar as espetaculares privatizações na área do petróleo, lideradas pelo megainvestidor Eike Batista, sob a cobertura da lei aprovada no governo FHC — alterada recentemente para pior— e as na geração e transmissão de energia elétrica.
Outra ação privatizante digna de menção foi nas estradas federais, que fracassou, não obstante o clima de comemoração na época. Fez-se a concessão de graça, pôs-se pedágio onde não havia, mas os investimentos não chegaram, as estradas continuaram ruins e o governo federal só faz perdoar as faltas dos investidores. Um modelo furado, que pretendia ser opção vantajosa ao adotado por São Paulo, com vistas a dividendos eleitorais em 2010.
O padrão petista de privatização chega ao dinheiro público. O governo faz concessões na área elétrica e as subsidia, via financiamentos do BNDES e reduções tributárias. Não se trata de dinheiro do FAT, mas tomado pelo Tesouro à taxa Selic, repassado ao BNDES a custo bem inferior. Outro exemplo é o da importante e travada Ferrovia Transnordestina. O governo está pagando quase toda a obra, com dinheiro subsidiado, mas a propriedade da concessão é privada. Quem banca a diferença? O contribuinte, é lógico. Quem faz a filantropia? Os governos petistas, cujas privatizações são originais, ao incluírem grandes doações de capital público ao setor privado.
O outro grande exemplo —felizmente, ainda virtual— é o do trem-bala Rio-SP, projeto alucinado que poderá custar uns R$ 65 bilhões, a maior parte de recursos diretos ou indiretos do governo federal e até mesmo dos estados, via renúncia fiscal, ou dos municípios, que teriam de fazer grandes obras urbanas. O governo quer bancar também os riscos operacionais do empreendimento: se houver número insuficiente de passageiros, o Tesouro comparecerá para evitar prejuízo para o empreendedor privado!
Para alguns representantes extasiados da oposição, com as concessões dos aeroportos, “finalmente o PT se rendeu à privatização”, como se este governo e o anterior já não tivessem promovido as outras que mencionamos. Poderiam sim ter lembrado do atraso de pelo menos cinco anos na entrada do setor privado na atividade aeroportuária —atraso ocorrido quando a  agora presidente comandava a infraestrutura do Brasil.
As manobras retóricas do petismo são toscas. O primeiro argumento, das cartilhas online e de grandes personalidades do partido, assegura que não houve “privatização” de aeroportos, mas “concessão”. Ora, no passado e no presente, os petistas chamavam e chamam as “concessões” tucanas (estradas em São Paulo, telefonia, energia elétrica, ferrovias, etc.) de “privatização”.
O PT argumenta ainda que a Infraero mantém 49% das ações de cada concessionária. Isso é vantagem? Em primeiro lugar, a estatal está pondo bastante dinheiro para formar o capital das empresas sob controle privado (sociedades de propósito específico, SPEs) que vão gerir os aeroportos. Além disso, vai se responsabilizar por quase metade dos recursos investidos, sem mandar na empresa.
Mais ainda: pagará 49% da outorga (preço de compra da concessão) de cada aeroporto. O total de outorgas é de R$ 25 bilhões, número comemorado na imprensa e na base aliada. Metade disso virá do próprio governo, via Infraero! Isto sem contar os fundos de pensão de estatais, entidades sob hegemonia do PT, que predominam no maior dos consórcios, ganhador do aeroporto Franco Montoro, de Guarulhos. Tais fundos detêm mais de 80% do grupo privado que comandará o empreendimento!
A justificativa de que a Infraero obterá os recursos para investimentos e outorgas da própria concessão é boba — até porque ela já está investindo nas SPEs e vai sacrificar seus retornos. De mais a mais, quais retornos? As outorgas são obrigatórias, enquanto as receitas são duvidosas. A receita líquida do aeroporto de Guarulhos foi de R$ 347 milhões em 2010. A bruta, 770 milhões. A outorga dessa concessão será paga em 20 parcelas anuais de R$ 820 milhões… Mesmo que a receita líquida duplicasse, de onde iriam tirar o dinheiro para os investimentos? No caso de Brasília, a outorga exigirá cerca de 94% da receita líquida…
Com razão, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), favorável como eu às concessões, ponderou: “Com o que sobra é possível entregar a qualidade desejada? Difícil. Difícil até mesmo operar com os baixos níveis atuais, pois sobrará para as concessionárias muito menos dinheiro do que a Infraero tem hoje.”
O que poderá acontecer? As possibilidades são várias: mudanças nos contratos, revisão para cima de tarifas, atrasos nos investimentos necessários, subsídios do governo e  prejuízos para os cotistas dos fundos. Tudo facilitado pela circunstância de que a privatização (um tanto estatizada) tirará o TCU do controle e transparência de gastos com aeroportos…
Existe ainda um erro elementar e pouco notado.
Para todos os consórcios que entraram no leilão foi exigida a participação de uma operadora internacional de aeroportos. Mas os consórcios onde estavam as boas operadoras perderam a licitação. E as operadoras internacionais dos grupos que ganharam são de segunda linha…
A presidência da República reclamou disso, como se não fosse o governo o responsável. O correto teria sido as operadoras internacionais serem introduzidas depois da licitação. Cada consórcio vencedor convidaria então uma operadora, a ser aprovada previamente pelo governo como condição para a homologação da concorrência. É uma sugestão que pode ser adotada nos futuros leilões. Por ora, fica o leite derramado…


Bem, continuo achando que precisamos aprender a votar...


Eli dos Reis